Maior risco de punição contribuiu para redução da acidentalidade no RS
A redução da sensação de impunidade, com uma percepção maior do risco de ser pego em uma blitz de trânsito contribuiu significativamente para a redução histórica da acidentalidade no Rio Grande do Sul. O diagnóstico foi consenso entre os especialistas que participaram, na manhã dessa sexta-feira (26), do 2º Seminário Estadual de Segurança no Trânsito, no Plenarinho da Assembleia Legislativa.
Promovido pela Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, o evento reuniu especialistas para debater o panorama do trânsito gaúcho, o papel dos Conselhos Estaduais de Trânsito (Cetrans) e as novas tecnologias para aferição do uso de drogas na condução do veículo (drogômetro).
A redução da acidentalidade no Rio Grande do Sul, de 20 para 16 óbitos a cada 100 mil habitantes/RS, foi tratada em todos os painéis. Horácio Mello, presidente do Fórum dos Conselhos de Trânsito do Brasil (Focotran) citou a experiência da municipalização, que no Rio Grande do Sul está muito à frente do resto do Brasil, com 94% dos municípios exercendo a gestão do trânsito. “No Brasil, hoje temos 4 mil municípios sem gestão de trânsito, onde não há nenhuma punição para as infrações de competência municipal”.
Mello enfatizou os resultados do Rio Grande do Sul em comparação com índices internacionais. “Geralmente comemora-se quando o crescimento da acidentalidade é proporcionalmente menor que o crescimento da frota. Mas aqui estamos vendo redução de números absolutos. Temos que entender o que vocês fizeram aqui e levar esse estudo de caso para o Brasil”.
Coordenador do Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas e UFRGS, que desenvolve os estudos com o drogômetro no Estado, Dr. Flávio Pechansky falou sobre o conceito de dissuasão (deterrence, no original em inglês). O conceito pressupõe que nossas ações são determinadas pela percepção de sucesso ou fracasso. “No trânsito, a noção de que não posso fazer algo é determinada pela sensação de ser pego ou não”, explica.
Panorama do RS
A teoria trazida por Pechansky – mesmo com a ressalva de que há indivíduos refratários a essa lógica racional - pode ajudar a explicar a queda acentuada na acidentalidade no Estado. A sistematização das blitze de trânsito, o aumento da aplicação das penalidades de suspensão do direito de dirigir e a imputabilidade dos crimes de trânsito são os elementos novos na equação de trânsito nos últimos cinco anos.
Dados trazidos pelo diretor-geral do Detran/RS, Ildo Mário Szinvelski, mostram que em 2015 houve um aumento de quase 50% nos veículos abordados nas blitze da Balada Segura em todo o Estado e 67% nas autuações. O número de suspensões e cassações de condutores também tem aumentado gradualmente ao longo dos anos. Somente em 2015, houve um acréscimo de 57% na instauração de processos.
Szinvelski trouxe também ações que vem sendo realizadas nas áreas de educação para o trânsito, comunicação, qualificação da formação de condutores e qualificação dos filtros para novos habilitados (exames médicos, psicológicos, teóricos e práticos). “Quando falamos em trânsito, estamos tratando de condutas, habilidades, valores e ética. Estamos buscando mudar comportamentos pela mensagem do Estado. Quando todos os filtros falham, resta a punição”.
Fonte: Detran/RS - Publicado em 26/08/2016
