Denatran sugere restrição de motos para reduzir acidentes
O diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Orlando Moreira, sugeriu restringir a circulação de motocicletas
como forma de diminuir o número de acidentes e negou que haja problemas de hierarquia na gestão do trânsito no Brasil.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 20% das mortes no trânsito no país vitimam condutores ou passageiros
de motocicletas, o dobro do registrado entre condutores ou passageiros de veículos com quatro rodas. O percentual de motociclistas entre as
vítimas no Brasil é oito pontos maior do que a proporção média mundial, de 12%.
Para Moreira, os
índices deveriam estimular restrições à circulação de motocicletas em vias rápidas, como as já
aplicadas em certos pontos da cidade de São Paulo.
O diretor defendeu também a modificação do Código de
Trânsito Brasileiro, para que motocicletas sejam impedidas de se deslocar entre os carros.
Aprovado em 1998, o código
continha um artigo que proibia a circulação de motocicletas entre as faixas de rolamento dos demais veículos, mas o item foi
vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, afirma Moreira, estuda-se a reincorporação do artigo.
Segundo o Ministério da Saúde, os gastos com acidentes de moto dobraram entre 2007 e 2010, ano em que houve 150 mil
internações relacionadas à ocorrência. Os dados fizeram com que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dissesse no
início do mês que o Brasil vive uma "epidemia de acidentes de motocicleta."
HIERARQUIA
Em resposta
às críticas de analistas ouvidos pela BBC Brasil, que citam a "fragilidade institucional" dos órgãos que gerem o
trânsito no país entre as causas para o alto número de mortes, Moreira diz que o Contran (Conselho Nacional de Trânsito),
responsável por coordenar o Sistema Nacional de Trânsito, é integrado por vários ministros.
"O trânsito
não é tarefa para um único ministério", diz.
Ainda assim, afirma que a transformação do Denatran
numa autarquia, prevista em projeto que tramita no Congresso, seria bem-vinda, pois garantiria ao órgão autonomia financeira.
Embora considere os atuais índices brasileiros de mortalidade no tráfego "inadmissíveis e preocupantes", Moreira diz confiar
num programa recém-lançado pelo órgão para melhorar as estatísticas.
O Pacto Nacional pela
Redução de Acidentes no Trânsito, afirma ele, se assentará nos cinco pilares seguintes, em ordem de importância:
fiscalização, educação, saúde, infraestrutura viária e segurança veicular.
Segundo o
diretor, a ênfase em fiscalização e educação se justifica porque 80% dos acidentes no Brasil são causados por
falhas humanas, como excesso de velocidade, imprudência e a recusa a usar capacete e cinto de segurança.
Fonte: Folha.com -
Publicado em 13/10/2012
