Ulbra desenvolve carro que faz 60 km/l de combustÃvel
Já imaginou um automóvel capaz de percorrer 60 quilômetros consumindo apenas um litro de combustível no percurso? Se depender da equipe do curso de Engenharia Mecânica Automotiva da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), no futuro, esta será uma realidade.

O projeto, que está sendo desenvolvido pelo Grupo de Tecnologia Automotiva (GTA) sob o comando do professor Luiz Carlos Gertz,
poderá modificar a produção dos veículos futuros, seguindo os padrões de economia de combustível e
preocupação com o meio ambiente. O protótipo, ainda em fase de construção, foi batizado de Gogo e a
princípio não tem a ambição de ser produzido em escala industrial.
Motorização
A mecânica do protótipo Gogo, que está sendo construído no
laboratório da Universidade, é baseada em um Corsa 1000, porém apresenta uma redução significativa da massa do
veículo, podendo pesar cerca de 600 quilos (quase metade do Corsa, que pesa em torno de uma tonelada).
De acordo com Gertz, a diminuição de massa influencia diretamente na redução de consumo de combustível, graças à diminuição de resistência da rolagem. Houve ainda redução na área frontal do carro, fazendo com que ele disponha de apenas dois lugares, um na frente, e outro atrás.

“Nosso veículo tem apenas duas grandes
diferenças em relação a um carro original: a forma da carroceria e o peso. Toda mecânica restante corresponde a de um carro
1000, sem alteração nenhuma. A modificação mais considerável ocorre na forma, que torna o coeficiente de arrasto
aerodinâmico gerado muito inferior ao original”, afirma.
O Gogo não só usa o sistema motopropulsor do Corsa, como também os bancos, o eixo traseiro, a suspensão, e parte do painel e pedais. O chassi do modelo, foi feito em tubos de aço, com o objetivo de garantir maior rigidez à estrutura mais leve. Sua parte externa será feita em fibra de vidro.
Apesar de a
carroceria já estar estruturada, é preciso ainda desenvolvê-la. Para isso, o laboratório de Protótipos Automotivos
conta com o apoio de parceiros interessados no alcance de resultados rápidos. “Trata-se de uma etapa trabalhosa e de valor mais
elevado”, explica Gertz.
Economia
Além de ecológico, o veículo quando estiver
pronto, também será absolutamente econômico. É o que mostram resultados de análises feitas pela
universidade entre o protótipo Gogo e o Corsa 1000. De acordo com Marcel Jaroski, coordenador do curso de Ciências Econômicas da
Ulbra, o consumo médio de combustível do Corsa tradicional atualmente é de um litro para cada 12 quilômetros
percorridos, enquanto que o protótipo Gogo desloca 60. Ou seja, se equipado com um tanque de 50 litros cheio, o Gogo poderia
percorrer cerca de 3 mil quilômetros de percurso (enquanto o Corsa percorre 600).
“Se consideramos que o valor médio da
gasolina na região metropolitana de Porto Alegre é de R$ 2,65, com os mesmos 50 litros gastos, o condutor do Corsa
tradicional teria que desembolsar R$ 662,50 para percorrer os três mil quilômetros, enquanto que, para esta mesma distância, o
Gogo gastaria apenas R$ 132,50, explica Jaroski. De acordo com a projeção, o condutor passaria então a ter uma economia
real de R$ 530.
Como desenvolver um protótipo?
De acordo com a Ulbra, para iniciar um projeto de
construção de protótipo como o Gogo, é preciso que o corpo docente da Universidade apresente uma proposta na disciplina de
Protótipos, onde os alunos passam a ser responsáveis por determinar,ao longo de um semestre, como será o veículo.
“Os alunos decidem em conjunto na própria sala de aula todas as características, desde a localização do motor, as
soluções para o câmbio, a velocidade máxima e outros aspectos. Entretanto, durante cada uma das etapas existe a
orientação dos professores”, explica Gertz.
Neste formato, o carro se torna a principal ferramenta de
preparação do aluno para a atividade profissional. “Buscamos iniciar o processo criativo dos alunos, incentivando o
desenvolvimento de protótipos, fazendo com que pensem em todos os aspectos na construção de um veículo. E claro, buscamos
também provar que é possível fazer um carro muito econômico utilizando a tecnologia disponível atualmente”,
destaca Gertz.
Até o momento, o projeto Gogo já envolveu cerca de 100 alunos - entre bolsistas e voluntários
- de diversas disciplinas do curso de Engenharia Mecânica Automotiva, sendo construído principalmente por aqueles em fase de
conclusão do curso.
Fonte: Pense Carros - Publicado em 16/07/2012
