Ataques a automóveis segurados crescem 30% no primeiro semestre na Capital, mostra levantamento
Um levantamento do Sindicato das Seguradoras no Rio Grande do Sul aponta que o furto e o roubo de veículos com seguro
aumentou mais de 30% em Porto Alegre no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. É uma
situação que pesa no bolso não só de quem tem o veículo levado pelos bandidos, mas de todo proprietário de
veículo que faz uma apólice.
Com o aumento nos roubos, Porto Alegre, que já tinha um dos seguros
veiculares mais caros do Brasil, vai pagar ainda mais por ele. Conforme a pesquisa do sindicato, a média atual é de 1,25 carro roubado
para cada cem na Capital e na Grande Porto Alegre. No ano passado, o indicador estava em torno de 0,90.
O índice de
roubos dita cerca de 15% da tarifa. O valor a mais a ser desembolsado varia conforme uma série de fatores, incluindo o modelo do veículo
e até mesmo a região da cidade onde vive o proprietário. O levantamento reflete a situação de 12 seguradoras que
atuam no setor.
— Em 2012, houve uma virada grande. É óbvio que esse aumento do furto e do roubo tem
impacto no preço do seguro. As seguradoras fazem acompanhamento mensal dos números — afirma o presidente do sindicato Julio Cesar
Rosa.
Veículos novos estão entre os mais visados
Os números das seguradoras
contradizem as estatísticas oficiais. Conforme a Polícia Civil, Porto Alegre teve queda de 20% nos casos no primeiro quadrimestre deste
ano, em comparação com 2011. A delegada Vivian do Nascimento, da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV),
vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), contesta os dado das seguradoras.
—
É mentira. Os dados da Polícia Civil são os mais fidedignos — afirma.
Segundo a delegada, a
estatística do sindicato pode sofrer distorções por levar em conta só os carros que estão no seguro (cerca de
metade da frota da Capital) e em consequência de fraudes cometidas por segurados.
Os carros mais roubados, segundo o
sindicato das seguradoras, são os mais novos, com no máximo três anos de fabricação. Julio Cesar Rosa afirma que a
situação mais comum é a abordagem ao motorista no momento em que ele sai ou volta para casa.
Rota de
fuga determina o mapa dos crimes
Os casos em que as seguradoras foram acionadas em razão do furto ou roubo de um
veículo ajudam a traçar um perfil desses crimes na Região Metropolitana.
O levantamento do Sindicato das
Seguradoras no Rio Grande do Sul revela, por exemplo, que entre 70% e 80% dos ataques da Capital concentram-se na área central da cidade ou em
bairros da Zona Norte. Depois, surgem como campeões de ocorrências municípios vizinhos, entre eles Alvorada, Gravataí,
Canoas e Cachoeirinha.
O presidente da entidade, Julio Cesar Rosa, associa essa concentração à
proximidade dos desmanches. Segundo ele, há uma tendência de que sejam roubados principalmente carros cujas peças estão em
falta no mercado:
— A indústria do crime trabalha focada. Os desmanches e lojas de peças usadas
concentram-se na zona norte de Porto Alegre e nos municípios vizinhos. Por isso, os criminosos atuam nessas regiões.
Bandidos usam carros em novos crimes ou desmanche
A delegada Vivian do Nascimento não acredita
que os crimes sejam realizados em determinadas áreas pela proximidade com os desmanches. Ela diz que áreas como a zona norte de Porto
Alegre são preferidas pela facilidade de fuga.
— A maioria das quadrilhas é da Região
Metropolitana. Os roubos ocorrem na Zona Norte porque dali é mais fácil sair da cidade. A Zona Sul, em contraste, é um brete,
não tem muitas saídas — analisa.
Os números das seguradoras apontam ainda que os roubos são
cometidos principalmente para uso do carro em outro crime, para desmanche e para clonagem. Uma outra tendência levantada é de que os
ataques são feitos cada vez mais por um grupo de três criminosos — um deles de moto.
— Antes, eram
mais frequentes as ações em duplas — observa Julio Cesar.
Fonte: ClicRbs - Publicado em 06/07/2012
