Motoristas criminosos poderão ser presos
A deputada estadual por Sorocaba, Maria Lúcia Amary, lidera a Frente Parlamentar que pede a apreensão em 48h da CNH de motoristas criminosos.
O Lançamento da Frente Parlamentar de Combate aos Motoristas Criminosos aconteceu na noite de segunda-feira (11), no plenário Dom Pedro I da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Durante mais de 2 horas, autoridades, entidades e representantes da sociedade civil discutiram formas e ações para reduzir as mortes no trânsito. Estiveram presentes membros do Detran, CET (Companhia de Engenharia de Trânsito), Secretaria da Justiça, Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas), Polícia Militar e movimentos sociais como o Não Foi Acidente e Vá de Bike.
Maria Lúcia, em seu pronunciamento, definiu em uma frase o comportamento daquele que causa um acidente com vítima fatal em razão da imprudência. “Quem tira a vida de uma pessoa com um veículo é tão criminoso como alguém que usa uma arma de fogo”.
Além do álcool e excesso de velocidade, a sonolência e o cansaço, especialmente em caminhoneiros devido ao excesso de carga horária de trabalho, também foram apontados como causa de muitos acidentes.
Foi sugerido, inclusive, a aplicação de multa para empregadores que exigirem de seus funcionários o trabalho excessivo.
“Muitos caminhoneiros passaram a usar cocaína e crack para se manterem acordados”, contou Luiz Fernando Devico, gerente da autopista Régis Bittencourt.
A coordenadora adjunta do Detran, Vera Schimidt, foi enfática ao falar que sem uma ação conjunta dos órgãos públicos fica impossível resolver o problema. “O principal fator de sucesso é a ação conjunta. Muitas vezes, o Detran não tem força sozinho para implantar algumas medidas”.
Durante sua fala, Schimidt fez algumas sugestões viáveis para que a Frente Parlamentar comece a trabalhar. “No Rio Grande do Sul, as pessoas são obrigadas a entregar a carta em 48h, numa ação feita em parceria com o Ministério Público, caso contrário elas são presas por desobediência civil”.
Disse ainda “Precisamos adotar em São Paulo o que já se mostrou eficaz em outro estado. Além disso, nas blitizes precisa haver uma força tarefa, com participação do IML, delegados e neste mesmo local precisa haver ações de comunicação e marketing eficazes. Sem acabar com a sensação de impunidade fica impossível obter resultados”.
Durante a reunião, Manoel Fernandes, representante do Movimento Não Foi Acidente, questionou se a arrecadação das multas tem sido reinvestida no trânsito e se as autoescolas vêm desempenhando seu papel na formação dos condutores.
A CET, por sua vez, disse que o foco de suas campanhas neste momento tem sido os pedestres, principal vítima. “A cada 4 mortos no trânsito de São Paulo, 1 é motociclista, 1 é motorista e 2 são pedestres”, disse Flávio Torres, assessor especial da presidencia da CET.
A ABRABE, representada pela Dra. Alexsandra Machado, vice-presidente Executiva, manifestou que a entidade apoia a tolerância zero em relação ao consumo de álcool e direção.
“Nós defendemos que quem bebe qualquer quantidade de álcool não está habilitado para dirigir. Somos a favor da tolerância zero”, afirmou. A vice-presidente colocou a entidade à disposição para ajudar inclusive nas campanhas de prevenção.
Willian Cruz, fundador do Movimento Vá de Bike, que incentiva as pessoas a usarem a bicicleta como meio de locomoção, luta para que haja mais segurança e respeito para o ciclista.
“É preciso campanhas mais impactantes. A pessoa que mata outra no trânsito carregará isso pelo resto da vida. Porém, no momento em que elas bebem, elas não pensam nisso. Hoje, não discuto mais com o motorista que não me respeita. Apenas faço a seguinte pergunta: O que o senhor (a) vai explicar para sua família se eu parar embaixo do seu carro?”.
O cicloativista pediu para que a CET faça campanhas de conscientização para que os motoristas não enxerguem o ciclista como um inimigo, respeitem o 1,5m de distância e troquem de faixa para ultrapassar.
Outras sugestões foram: criação de uma delegacia itinerante com o B.O sendo feito no momento do flagrante, convênio entre a CET e demais rodovias, para que os delegados tenham acesso imediato às imagens das câmeras de monitoramento e radares e Ações de comunicação e marketing mais eficazes
A criação de outros mecanismos para identificar a embriaguez, tirando a exclusividade do bafômetro, com a criação de uma comissão de clínicos que avaliariam caso a caso, e a inclusão de Direito de Trânsito nas universidades também fizeram parte das sugestões anotadas no debate.
Nas próximas semanas, a Frente Parlamentar realizará uma série de reuniões paralelas para começar a colocar em prática as sugestões apresentadas.
Fonte: Portal do Trânsito - Publicado em 14/06/2012
