EPTC cogita a volta de aparelhos que flagram desrespeito ao sinal vermelho
O alto número de acidentes na Avenida Ipiranga leva a empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) a cogitar a volta dos caetanos, os aparelhos que flagram quem passa no sinal vermelho. A causa é o desrespeito ao semáforo cometido por motoristas na avenida, uma das mais importantes de Porto Alegre.
Faz pelo menos cinco anos que a ideia circula na EPTC. A diferença, agora, é que técnicos da empresa efetuam estudos para provar se há necessidade de ressuscitar o equipamento. Mas ainda não foram definidas que vias o receberiam.
Dez cruzamentos foram responsáveis por 170 acidentes este ano, com 17 feridos e nenhuma morte. Seis deles ficam na Ipiranga, via de 10 quilômetros de extensão que permite velocidade de até 60 km/h e rasga a cidade de leste a oeste. O balanço foi feito pela EPTC, a pedido de ZH.
— O furo de sinal é o que mais oferece risco. Tem várias formas de fiscalização que estamos avaliando. Uma delas é a presença ostensiva de agentes nesses cruzamentos. Outra é a colocação de caetano — diz o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari.
Os equipamentos funcionaram na Capital entre o final da década de 90 e início dos anos 2000. O arquiteto e consultor em mobilidade Fernando Lindner dirigiu a EPTC entre 1997 e 2001. Segundo Lindner, o fim dos caetanos foi causado pela falta de reposição de equipamentos danificados. Ele apoia a retomada.
Contrário à medida, o presidente da Associação dos Permissionários de Táxi de Porto Alegre (Aspertáxi), Walter Luiz Rodrigues Barcellos, aponta que não faz sentido utilizar caetanos após as 23h:
— Na madrugada, ninguém para em sinal fechado porque não tem policiamento nas ruas. À noite, tem que estar o amarelo piscante.
Os 10 cruzamentos com maior número de acidentes na Capital
Ipiranga x Silva Só = 31 acidentes, cinco feridos
Ipiranga x Salvador França = 31 acidentes, quatro feridos
Ipiranga x Antonio de Carvalho = 18 acidentes, dois feridos
Assis Brasil x Bernardino Silveira Amorim = 15 acidentes
Assis Brasil x Sertório = 13 acidentes, um ferido
Ipiranga x São Manoel = 13 acidentes
Farrapos x Ceará = 13 acidentes
Ipiranga x Santana = 12 acidentes e três feridos
Ipiranga x Borges de Medeiros = 12 acidentes e dois feridos
Mostardeiro x Goethe = 12 acidentes
Saiba mais
- Em toda a Ipiranga, acontece uma média de mil acidentes por ano, de acordo com a EPTC
- Dois pontos da Ipiranga têm presença constante de agentes da EPTC: nas esquinas com a Salvador França e com a Silva Só
- Outras causas de acidentes são as mudanças de faixa sem sinalizar e as conversões proibidas
Fonte: Zero Hora - Publicado em 05/06/2012
